terça-feira, 18 de abril de 2017

Os Compostos e a Unidade Sintagmática

Singela homenagem a Lindley Cintra e a Celso Cunha.


Lindley Cintra e Celso Cunha, na sua magistral obra, A Nova Gramática do Português Contemporâneo*, tratando da formação de palavras por composição, no título FORMAÇÃO DE PALAVRAS POR COMPOSIÇÃO, lecionam:

1. “A composição, já o sabemos, consiste em formar uma nova palavra pela união de dois ou mais radicais. A palavra composta apresenta sempre uma ideia única e autônoma, muitas vezes dissociada das noções expressas pelos seus componentes. Assim, criado-mudo é o nome de um móvel; mil-folhas, o de um doce; vitória-régia, o de uma planta; pé-de-galinha1, o de uma ruga no canto externo dos olhos”. Acrescente-se “pé de moleque”, nome de um doce.

Como se vê, os autores dão ênfase à unidade semântica do composto: “A palavra composta apresenta sempre uma ideia única...”

Por sinal, essa ideia única é um dos elementos básicos da regra de uso do hífen nos compostos de nome (substantivo, adjetivo, numeral) ou verbo, do atual acordo ortográfico. Está lá, na sua base XV:  “unidade sintagmática e semântica”.

O que confunde, contudo o leitor é a lição contida logo na página seguinte, no n.º 2, sob o subtítulo TIPOS DE COMPOSIÇÃO, do título FORMAÇÃO DE PALAVRAS COMPOSTAS, da citada obra de Cintra e Cunha, assim explicitado:

2. “Quanto ao sentido, distingue-se numa palavra composta (destacamos) o elemento DETERMINADO, que contém a ideia geral, do DETERMINANTE, que encerra a noção particular. Assim, em escola-modelo, o termo escola é o DETERMINADO, e modelo o DETERMINANTE. Em mãe-pátria, ao inverso, mãe é o DETERMINANTE, e pátria o DETERMINADO”.

Esse entendimento já põe por terra a unidade semântica: um determinante, uma unidade semântica; um determinado, outra unidade semântica. Em conseqüência, desmorona também a unidade sintagmática.

Por outro lado, nada impede que se veja na expressão duas unidades  semânticas, uma na função de determinante e a outra na de determinado. Só que aí não teremos mais um substantivo composto (uma unidade semântica), mas um substantivo - o determinado, e um adjetivo - o determinante. Duas unidades semânticas. Por esse ângulo se entende a divergência que se verifica (segundo renomado professor) entre Aurélio e Houaiss, quanto à classificação de  pôr-do-sol (agora sem hífen):  um substantivo, para Aurélio;  uma locução, para Houaiss. 

Salvo melhor juízo, esse entendimento conflita com o exposto no tópico 1. 

Como ficaremos em “dedo duro”? Se duro determinar dedo, não teremos mais um composto, mas uma locução; não teremos mais um delator, mas um dedo que está duro.  

O que faz o composto é a unidade semântica aliada à unidade sintagmática.  A composição se vale de mais de um sintagma lexical, para compor a unidade sintagmática maior.

Ao compor a unidade sintagmática maior, pelo princípio dos constituintes imediatos,  apaga-se a lembrança das unidades sintagmáticas menores. 
Uma grotesca metáfora pode clarear. Existia, não sei se ainda há, uma bebida composta de café e leite, chamada “pingado”.  No composto de café com leite, no “pingado”, não se sentia o sabor do café e o sabor do leite, isoladamente. Sentia-se o sabor do composto, do “pingado”. Somente o gato da lenda, que não gostava de café, e conseguia, quando lhe serviam a mistura, beber apenas o leite abandonando o café. O café com leite não era um composto para ele, não era um “pingado”,  pois seus elementos eram desmembráveis, cada qual com seu sabor.

São esquecidos, pois, no composto, os já apagados sentidos dos elementos da composição. Por isso as condições da base XV do Acordo Ortográfico: Constituir “unidade sintagmática e semântica”.

Em face dessa unidade, sintagmática e semântica, o conjunto também se torna uma unidade - unidade lexical, ou seja, um nome. E como nome, um sintagma nominal.

Já se se tomar a expressão “escola modelo” como dois nomes, como querem os autores,  um nome determinante, “modelo”,  e outro nome determinado, “escola”,  aí teremos dois sintagmas lexicais relativamente menores (escola e modelo), compondo o sintagma maior ou complexo - o locucional (escola modelo). Três sintagmas, portanto: dois lexicais e um locucional. Se é assim, evaporou-se a unidade sintagmática.

É simples: se é uma locução, ipso facto não é uma composição; e se não é uma composição, então não é um substantivo composto.

É uma locução, é um sintagma locucional constituído de dois sintagmas lexicais. Logo, três sintagmas, dois das unidades (agora formas mínimas) e um terceiro, o da unidade linguística superior, de que fala Saussure:  “combinação de formas mínimas numa unidade linguística superior”.

Registre-se, por derradeiro, que o composto não se acha blindado da determinação.  Pode ele muito bem ser determinado por um morfema, material ou zero, ou mesmo por um nome, desde que estranho aos elementos da composição. Por exemplo: “dedos-duros”, determinante ou morfema /s/ de número. “Dedo-duro”, determinante ou morfema zero de número. Desprezível “dedo-duro”, determinante lexical (semantema) de espécie. São determinações que não agridem a unidade semântica nem a sintagmática, resguardadas pela base  XV do Acordo Ortográfico.



* - Cintra - Lindley et al. Gramática do Português Contemporâneo. Lexicon. Rio, 2007.

domingo, 22 de janeiro de 2017

“LAVA A JATO”;  “LAVA JATO”;   “LAVA-JATO”.



Uma homenagem à D.ª Odete Starki Moro, não por ser mãe do Juiz Moro, mas por ser professora de Língua Portuguesa.
Fala-se que o Juiz Moro não é muito fiel aos pendores da senhora sua mãe, Dª Odete, relativamente à submissão aos rigores das leis gramaticais, mesmo porque ditas leis nem sempre se harmonizam com a espontaneidade dos usos linguísticos, maiormente os da fala oral.
Professora de Língua Portuguesa, hoje aposentada, ao se referir ao nome da ruidosa e mais bem sucedida operação de caça a corruptos, a genitora do magistrado, segundo consta,  não deixa de inserir a preposição “a” na fala escrita, e redige “lava a jato”, enquanto o incansável juiz, fazendo coro com a mídia, opta por  “lava jato”.
Não sei se a notícia é verdadeira, mas como não prejudica, tomei-a como tema dessas digressões sobre o hífen.
Se não molesta, permite aos interessados manifestarem-se sobre o tema,  em especial  Dª Odete,  estudiosa das questões da língua pátria.
Vamos ao hífen-  por ora sem ferir o mérito, divagando em  preliminares.
Nas origens, ou seja, como nome do estabelecimento de lavagem de veículo, o composto era formado por um verbo (lavar), para expressar a atividade, e uma locução adverbial (preposição mais substantivo), compondo o adjunto adverbial de modo (a jato), para expressar  o modo como se lavaria o veículo: “a jato”, ou seja, rapidamente.
Aqui é de rigor a presença da preposição, para constituir a expressão adverbial, pois o substantivo “jato”, por si, não tem a força circunstancial própria do advérbio, ou das locuções dessa  natureza .
Até agora, falamos da primeira  expressão, “lava a jato”, redação e sentido.
Vamos à segunda Expressão, “lava jato”. Se nos prendermos à grafia, e amarrarmos o sentido a ela, aí, numa literalidade absurda, pode parecer que iremos, em consonância com a transitividade do verbo lavar, explicitar o paciente.  Então, o que era adjunto de modo (modo de lavar), converte-se em objeto direto. Lava o quê? O jato, é a resposta. Lava o avião “jato” ou lava absurdamente o jato de água que se esguicha.  Veja a que absurdo nos levaria a análise presa à grafia. Sabemos que não é bem assim.
Vamos agora soltar as peias da grafia e nos debruçar sobre a fala, realidade viva da língua.
Mesmo com o sentido original, de lavagem de carro, em que a grafia obriga a presença da preposição para constituir o advérbio, a fala era e é uma só: lava jato. Isso porque, pelo fenômeno da crase (fusão de dois sons vocálicos idênticos e consecutivos), a preposição “a” do advérbio se fundiria com a vogal temática do verbo (lavA) e não se ouviriam dois “as”, um da vogal temática “lavA” e o outro da preposição  “a jato”: Lav-A   A.
Em resumo, tanto em “lava jato” como em “lava a jato”, conforme já explicitado, a fala é uma só: “lava jato”. Recomenda-se apenas que se grafe “lava a jato” - quando locução, i. é, guardando o sentido original. Aí o objeto direto é veículo, omitido e subentendido por elipse: “Lava (o veículo) a jato”
Enfim o hífen.
Em primeiro lugar, tanto “lava a jato” quanto “lava jato” desgarram-se do sentido primitivo de lavagem de carro. Agora  significam, uma e outra, operação de combate à corrupção.
A expressão inteira é um substantivo composto e não uma locução.
Por que substantivo composto e não locução?
Como locução, cada palavra da expressão guarda o seu significado. O significado de “lavar”, contido no verbo, e o de modo, modo rápido, contido no advérbio “a jato”.
Apenas para ilustrar, seria como a expressão “dedo duro”. Um sentido para o substantivo “dedo” e outro para o adjetivo “duro”. Um dedo que está duro – locução.
Já como substantivo composto, não há um sentido para “lava” e outro para “jato”. Há um sentido só para a expressão inteira: operação de caça aos corruptos. Como em “dedo-duro”- delator e em “pé de moleque”, doce. É a conhecida  unidade semântica.
Na formação do substantivo composto pode entrar uma preposição ou outros elementos de ligação. Exemplos: “maria vai com as outras”;  “pé de moleque”; “dia a dia”; “vai e vem”, etc. Todos sem hífen, conforme se justificará a seguir.
Finalmente, para a grafia de “lava a jato”ou “lava-jato”, vamos ver o que diz o Acordo Ortográfico  em vigor, na sua base XV
Acordo Ortográfico de 1990,  promulgado pelo Decreto 6583.
a) Base XV    
“Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem  uma unidade sintagmática e semântica e contém acento próprio...”
Pois bem, “lava a jato” é um composto que satisfaz a todos os requisitos, com exceção de um: “...que não contenha forma de ligação”.
“Lava a jato” não satisfaz a exigência. Contém forma de ligação - a preposição “a”; mas nem por isso deixa de ser um composto. Satisfaz a todos os outros elementos. Apenas não se grafa com hífen. Grafa-se “lava a jato”.
Agora “lava jato”.  Satisfaz a todos os requisitos da base XV: o conjunto possui unidade semântica, caça aos corruptos; possui unidade sintagmática, por força da unidade semântica,  um determinante e um determinado, não contém formas de ligação. Grafa-se então com hífen: “lava-jato”.
Enfim, para que serviu o hífen? Na pronúncia não serviu para nada. Ninguém pronuncia o hífen. Nem na hora que fala, o falante  alerta o ouvinte ou ressalva que há hífen naquilo que está falando. O hífen na pronúncia é de efeito zero.
Agora o hífen na grafia. Na grafia, no caso presente, serve para distinguir um composto de uma locução. Somente para isto. Nada além. O benefício é muito pequeno, em face do custo. É quase uma infernização, ou, como diria Shakespeare, much ado about nothing.

domingo, 25 de dezembro de 2016

A Musa de Olhos Arregalados – Lições Machadianas

   

                  
              

No princípio não era o verbo. Era a simples cogitação

                   No capitulo  55 de Dom Casmurro, o autor  fala de um soneto que ele nunca fez.

                   Conta que, estando na cama, lhe veio uma exclamação na medida de um verso. Pensou em compor com ele um soneto, embora ainda não fosse uma ideia. De posse desse primeiro verso, pensou em compor os demais, os treze restantes. Sentiu dificuldade em compô-los na sequência natural. Não vinha mais nada, depois do primeiro verso.

                  Como não vinha o segundo verso, naturalmente  nem o terceiro nem o quarto, decidiu arrematar o poema, compondo o último verso – a festejada chave de ouro do soneto, para depois recheá-lo com os doze versos que faltavam.

                O soneto estava, pois, aberto com o primeiro verso e fechado com o último. Contudo, não estava completo. Faltavam os doze versos do miolo. Como eles não vieram, por mais que teimasse, decidiu abandonar a empreitada  e oferecer os dois versos, o do início e o do fim, ao “primeiro desocupado” que os quisesse para que, “Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer”, enchesse o centro que faltava e desse à luz o soneto inacabado.

                   Eis os dois versos, o de saída e o de chegada, o do princípio e o do fim:

“Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura!”
...................................................................

                   “Perde-se a vida, ganha-se a batalha.”

                    

                   Esse o resumo do capítulo 55. Agora uma reflexão sobre ele.

                  Embora nunca tenha escrito ou feito o soneto, atormentante poema inexistente, por isso verdadeiro fantasma,  mereceu do autor um capítulo inteiro, e extenso, com o título de “Um Soneto”.

                       Ainda que  não o tenha composto, ao falar dele, porém, o Bruxo do Cosme Velho  nos sugere um caminho novo para exercitar na arte da composição. Se não uma aula, ao menos um caminho novo   de como compor ou ensaiar a composição do texto a partir de uma  interjeição – preliminar de uma ideia  ainda  não concebida. Simples “exclamação solta”,  escandida como  primeiro verso:

“Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura!”

                   Ainda não era uma ideia. Era uma singela exclamação vagabunda, na medida de um decassílabo em gaita galega:

“Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura!”.
        
                       Tem-se um verso, mas não se tem uma ideia. O que se quer agora é uma ideia para, desenvolvida em verso, chegar-se ao soneto, agora já trancado com a chave de ouro:

                   “Perde-se a vida, ganha-se a batalha.”

                   A chave antes da fechadura!

                  Assim,  o ponto de partida para a composição do texto não foi  a idéia, que ainda nem existia. Para começo bastou a inquietação, as cócegas. Por vezes nem cócegas -  uma simples comichão basta.   A idéia vem depois. Quem diz é ele: “Quanto à idéia, o primeiro verso não era ainda uma idéia, era uma exclamação, a idéia viria depois.” No princípio ainda não era o verbo, mas   uma interjeição inquietante e  medida, em forma  de verso:
“Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura!”

                      Prossegue a busca: revolve-se a mente, excogita-a na procura dessa ideia  que esvoaça e não pousa. Enquanto não pousa, vai-se poetando insone,  sem cessar   e vigilante, em longa  noite indormida,   verdadeira “musa de olhos arregalados”.

                   Alvoroçado e inquieto, ferroado pelo verso interjeitivo e solitário,  debate em busca da idéia, ou conceito, que lhe permita desenvolver as estrofes e  compor o  soneto imaginado:
. 
                               “Tinha o alvoroço da mãe que sente o filho,...”.

                   Contudo, depois de virar e revirar,  de cavar muito, de revolver e excogitar, eis que surge a ideia embrionária. Aleluia!

                   Caminhou-se, pois, do embrião ao signo; da interjeição ao conceito:

                  “Quem era a flor? Capitu, naturalmente.. mas podia ser outro conceito.” Mas conceito!
        
                             Pariu-se pois a ideia!

                       Aflorada  a ideia,  é preciso agora  afagá-la, acalentá-la e querer desenvolvê-la.  Na metáfora machadiana, é preciso sentir cócegas e querer coçar: “...as cócegas pediam unhas, e eu coçava-me com a alma”.

                       Começa-se pois a coçar!

                   Para desenvolver a idéia, era preciso definir a espécie, ou a forma. Machado optou pelos versos dispostos em soneto: “...mas afinal, ative-me ao soneto.”
                  
                            A idéia porém teimava em não produzir frutos. Empacou-se e não arredou pé: “...mas nem assim vinha mais nada.”

                            Ora, raciocinou ele,  como a  opção foi por um soneto, e como os sonetos bem elaborados se fecham com chave de ouro, representada pelo último verso bem arquitetado, por que não fundir a chave antes da fechadura, elaborando um verso bem urdido, que trancasse o poema de forma elegante, e retornando em  marcha triunfal de volta até esbarrar no ponto de partida: “Oh! flor do céu...”

                            Chegou  a imaginar que era praxe proceder assim:

                            “...imaginei que tais chaves eram fundidas antes da fechadura.”

                            Assim procedeu e, depois de muito lavrar e garimpar, saiu a chave da “perfeição louvada”, não mais na espécie do decassílabo moinheiro ou da gaita galega. Agora decassílabo heróico:

                            “Perde-se a vida, ganha-se a batalha.”

                            Pronto. Estavam enfim estabelecidos os limites do soneto! Um grito d´alma na abertura, como convém às interjeições, e um retumbante  fechamento heróico, uma chave de ouro, como convêm aos sonetos.
                            E agora!?
                            Só faltava a fechadura com seu miolo!
                            E ela não veio!

                            Os doze versos medulares não vieram. Nem mais a gaita da ternura para prosseguir do primeiro verso ao último, nem a  tuba belicosa para recuar do último ao primeiro. Empacou-se  e a chave de ouro trancou o nada. Nem soneto nem panegírico: “Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos.” Nem os galegos nem os heroicos.

                            Por amor dos dois versos solitários, doou-os ele, o Bruxo,  ao primeiro desocupado que os quisesse, para prossegui-los em dia de chuva ou na preguiça do ócio domingueiro

                            Assim, se algum leitor destas garatujas nutrir algum sentimento por uma “flor do céu”, ainda que não tão pura e nem tão cândida,  e se por ela apostar a vida para ganhar a batalha, pode se apropriar dos dois versos do bruxo e,  com eles, nem compor mas transcrever o soneto metafísico que, por metafísico, na lição do autor,  já deve existir feito; tudo sem o crime  de plágio, pela expressa  outorga do titular do direito, o ermitão do Cosme Velho.
                           

                            Há umas poucas condições impostas pelo malogrado Bruxo e reduzidas a termo, para a cessão dos versos: Ser o cessionário ou  apropriador desocupado; laborar ao domingo, ou em dia de chuva ou ainda na roça. Se for em dia de chuva ou na roça, o texto não fala  na  necessidade de ser domingo. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Bechara moderna gramática signo simbolo linguagem

Em 22.09.2015


Para compreender Bechara

Moderna Gramática Portuguesa
Editora Lucerna – Rio. 1990



                  
                   O Professor Evanildo Bechara abre o capítulo I da sua monumental Gramática Portuguesa dedicando-o à linguagem.

                   Ipsis verbis:

“Entende-se por linguagem qualquer sistema de signos simbólicos empregados na intercomunicação social para expressar e comunicar ideias e sentimentos, isto é, conteúdos da consciência.

Alinguagem se realiza historicamente mediante sistemas de isoglossas
Comprovados numa comunidade de falantes, conhecidos com o nome de línguas, com veremos adiante.” Página 28 da Gramática.


                         No primeiro parágrafo, esboça-se um conceito de linguagem: “...qualquer sistema de signos simbólicos...”
        
          Partindo-se dos sinais, sabemos que eles – os sinais – se especificam em naturais e artificiais. Por sua vez, os naturais, quando físicos, são conhecidos como indícios (fumaça, trovoada); quando fisiológicos, são tidos como sintomas (febre, fome). Ao lado dos sinais naturais, há os convencionais, Estes também se especificam: em ícones, os imagísticos (foto, estatueta); em símbolos (balança; cruz) e, finalmente, em signo, totalmente arbitrário. O signo é o sinal lingüístico.

         Símbolo e signo são de natureza diversa.  O símbolo não é totalmente arbitrário. Quando muito, semiarbitrário. Já o signo é totalmente arbitrário. Essa distinção acaba  por dificultar a compreensão do que seja  signo simbólico, como está na Gramática. Nessa linha de raciocínio,  o adjetivo “simbólico”, acaba por ser impróprio para determinar o substantivo “signo”.  













            Numa espécie de árvore, teríamos:


                                                a.1 -  Indício (físico): fumaça, trovoada
                  
                 a -  Natural          

           a.2 - sintoma (fisiológico): dor, febre, fome


SINAL

´                                               b.1 - ícone (grego eikón, imagem): foto
                                                         


                 b - Convencional   b.2 - símbolo (particular) cruz, balança,
                                                       espada


                                                 b.3 - signo (sinal linguístico) – palavra



         Por serem, o signo e o símbolo, espécies distintas do gênero sinal, pergunta-se: ocorreria, salvo melhor juízo,  uma impropriedade falar em  signos simbólicos?
         Que digam os sábios na escritura!


Libere a cola. cola escola método

cola escolar método decartes

SALVE A “COLA”!

A COLA ESCOLAR COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA


No exercício do magistério sempre se travou uma renhida e incessante batalha contra a perseguida “cola”.

Na aplicação de uma prova temos, de um lado, o atento e itinerante mestre, locomovendo-se entre as carteiras e ligadíssimo a qualquer movimento dos alunos. Todo movimento gera suspeição. Do outro lado, o habilidoso e matreiro aluno. Agora adversários. Cada um medindo o outro. Uma medição rigorosamente calculada! Ao menor descuido do atento e vigilante professor, a “cola” se consuma. É como um raio: Cochilou, colou!

O sábio e saudoso professor da USP, Isaac Nicolau Salum, perguntado sobre o que era “colar grau”, parodiando o verbo “fero - fers”, responde: “colar o grau” nada mais é que a última cola que o aluno faz.

Não há como vencer a “cola”. Ela é imbatível! A empreitada, ainda que renhida, é inglória. Arteira e caprichosa; engenhosa e simulada; criativa e astuta lá vai ela seguindo o seu caminho, cumprindo o seu glorioso destino. Realmente, não há como vencê-la. Também nem há razão para isso.
Ela já se converteu em patrimônio da mocidade estudantil: Cochilou, colou!

Dia de prova. Lá vai o pobre professor exercitar agora o incompatível ofício de fiscal.

Debalde as ameaças: dar zero, tomar a prova, expulsar da sala. A “cola” vence! É como o fígado de Prometeu: Por mais que a ave teime em devorá-lo, ele renasce triunfante e desafiador.

Meditando, pois, sobre a cola, concluí que ela não é um mal.
Será um bem?
Ou nem uma coisa nem outra?

Ao fim, ela acaba por ser um bem! E um bem valioso. Sobre ser um bem pedagógico, é patrimônio da juventude estudantil. Estudiosa ou não - mas estudantil! Não raro mais estudantil que estudiosa.

Então me aderi à cola. Não só me aderi como me tornei um entusiasta dela e seu defensor. De antagonista a aliado! Tudo por uma simples questão cartesiana - o método.

Estou com Descartes, tudo é uma questão de método. Uma redundante manifestação de amor sufoca e aborrece; uma pontinha de desprezo cativa e aproxima. É o método, repita-se, mesmo que enfadonho.

No “Discurso sobre o Método”, diz Descartes que “o bom senso é a coisa melhor dividida (sic) no mundo, pois cada um se julga tão bem dotado dele que ainda os mais difíceis de serem satisfeitos em outras coisas não costumam querê-lo mais do que têm. E, a este propósito, não é verossímil que todos se enganem; isso prova, pelo contrário, que o poder de bem aquilatar e diferenciar o vero do falso, quer dizer, o chamado bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens e assim, que multiplicidade de nossas opiniões não deriva do fato de uns serem mais razoáveis do que outros, porem somente do fato de encaminharmos nosso pensamento por diversos caminhos”.1 Os caminhos são os métodos.

E não é de hoje que se recomenda o bom método. Nem é só Descartes que o receita: Terêncio, repetindo Quílon aconselhava: “ne quid nimis”, nada em excesso. Também Salomão no Eclesiastes adverte que “há tempo de amar e tempo de aborrecer...Não é falta de tempo, mas sim de discernir o tempo do tempo.” Ainda o método!

Dispensando à “cola” um tratamento novo e direcionando-a para uma atividade produtiva, não há como desprezá-la nem por que combatê-la. A adesão se impõe e a preserva!

Aderindo-nos a ela e tomando-a como processo pedagógico, estaremos todos, aluno e professor, tirando grande proveito desse maltratado procedimento..

Como se verá, a “cola” bem administrada se converte num valioso processo de aprendizagem.

E como se processa essa boa administração?

Em primeiro lugar, não tomando a “cola” como um ato pontual ou momentâneo – mas como um processo tomado desde a sua gestação e acompanhado durante todo o seu desenvolvimento. E em que consiste esse processo? Em atos encadeados em desenvolvimento sucessivo. O pleonasmo é enfático, pois não há desenvolvimento recessivo nem processo retroativo.A ênfase é didática.

O processo da “cola” tem início com a elaboração paulatina e o quanto possível exaustiva, por parte do aluno, de apontamentos e notas de aula, enriquecidos com pesquisa sobre o assunto, feitas com total liberdade por cada estudante, para consulta ou “cola”, como queiram, na feitura da prova.

Cada aluno só poderá “colar” do material elaborado por ele ao longo do período abrangido pela prova. Ao início de cada aula, o aluno, se desejar valer-se das notas e apontamentos para consulta (cola), deverá exibir ao professor o andamento da elaboração desse material, isto para não se transformar em simples cópia momentânea, e de última hora, de material elaborado por colega. O importante do processo é justamente a elaboração progressiva da bendita e benfazeja “cola”.

Por fim, deve-se ter cuidado para que esse tradicional e folclórico saber não desapareça. Ou melhor, não só não desapareça como não perca o halo de mistério e de excitante insegurança que envolve o ato de colar.

Ora, a cola é patrimônio da juventude estudantil!

Valendo-se da rima, já proclamaram:

“LIBERE A COLA E SALVE A ESCOLA!”




Passos

Pedro Junqueira.



1 – Descates – René. Discurso sobre o Método. Hemus Ed.
Trad. De Márcio Pugliesi et al., da Universidade de S.paulo.

sábado, 22 de novembro de 2014

A TESE 09 DA NEOPEDAGOGIA DA GRAMÁTICA
                            DO PROF. FRANCISCO DEQUI

Defendemos, o ilustre Prof. Francisco Dequi e este subscritor, a mesma tese: A oração subjetiva não é subordinada. O caminho trilhado, contudo, não é o mesmo.

Tese:           A oração subjetiva jamais será oração subordinada.

Argumento:  “Se é verdade que o nome sujeito e a própria oração nominal subjetiva é  termo determinado e jamais determinante, essa oração dita ‘subordinada  subjetiva’,(sic, vírgula) de forma alguma será subordinada”.

                   Quanto ao mérito, irretocáveis a tese e o argumento. Faltou apenas incluir o pronome sujeito e substituir “termo determinado” por função determinada, vez que a oração sujeito nem sempre é constituída de um único termo. Normal é ser constituída por mais de um termo. Questão, contudo, de somenos importância.

                   Passemos agora à comprovação do argumento.

                   O Professor, com muita propriedade e revelando-se verdadeiro artista na aplicação do processo didático, para comprovar seu argumento e validar a tese, vale-se da oração

                   “Carlos comprou remédios nesta semana”

                   Usando o que ele chama código numérico, enumera  os termos da oração. Assim

                         1             2            3           5        4     
                   “Carlos  comprou remédios nesta semana”

                   O sujeito recebeu o número 1; o verbo, o número 2: o objeto direto, o número 3;  o núcleo do adjunto adverbial, o número 4 e o termo denominado periférico, o adjunto adnominal do adjunto adverbial, o número 5.

                   Vale-se de setas, a que dá o nome de sintagramas.
                   Otoniel Motta, saudoso professor e gramático de Campinas, usava o processo chamando-o de diagrama. Isaac Nicolau Salum, também adepto do consagrado recurso, o especificava como garfos, na análise de textos.

                   Nessa disposição, dá início à análise, à luz do sintagma, e leciona que:

                   a) O verbo (comprou) determina o sujeito (Carlos). A seta do sintagrama mostra que 2 (verbo) determina l (sujeito);
                   b) o  objeto direto (remédios) determina o verbo (comprou). A seta do  sintagrama mostra  que 3 (remédios) determina 2 (verbo);
                   c) o núcleo do adjunto adverbial (semana) também determina o verbo  (comprou), embora a seta do sintagrama informe que ele (núcleo)
determina apenas o objeto (remédio). Simples falha do sintagrama. Retificada a lição, e não o sintagrama, aponta que 4 (semana) determina 2 (verbo).

CRÍTICA

1)
                   Sabemos que
a)  sujeito é o termo do qual se diz algo  (no predicado);
b) predicado é o que se diz do sujeito.

Em sendo assim, o que se diz do sujeito Carlos não é apenas
que  ele comprou, mas que ele comprou remédios nesta
semana.
Este é o predicado. É isto o que se diz do sujeito. O predicado
e não o verbo é que é o determinante do sujeito. Sempre e só o
predicado, quer se trate de  verbo transitivo ou de verbo
intransitivo. Segundo o autor, o determinante do sujeito é só
verbo, e não o predicado inteiro.

2)                Passemos agora ao determinante do núcleo do predicado.
                    Segundo o autor, determinante do verbo. Ora verbo  está no  
                    plano morfológico, no plano sintático trata-se da   função, e a
                   função do verbo  é a  de predicado ou de núcleo do predicado.


3)                  A seta do sintagrama mostra que o determinante do núcleo do predicado, que o ilustre professor trata  como verbo, é apenas o objeto direto (remédios). Esta falha consta apenas no sintagrama, no texto o mestre diz que semana também determina o núcleo do predicado (verbo, no texto). Deixa, contudo de fora o determinante de semana, o pronome demonstrativo esta, em elisão com a preposição em.
Esqueceu ele que a noção de tempo não está  no substantivo semana; está principalmente   na preposição em mais o demonstrativo elidido que, juntamente, com o substantivo se converte num advérbio.
                      


                  A TESE 09 DA NEOPEDAGOGIA DA GRAMÁTICA
                            DO PROF. FRANCISCO DEQUI

Defendemos, o ilustre Prof. Francisco Dequi e este subscritor, a mesma tese: A oração subjetiva não é subordinada. O caminho trilhado, contudo, não é o mesmo.

Tese:           A oração subjetiva jamais será oração subordinada.

Argumento:  “Se é verdade que o nome sujeito e a própria oração nominal subjetiva é  termo determinado e jamais determinante, essa oração dita ‘subordinada  subjetiva’,(sic, vírgula) de forma alguma será subordinada”.

                   Quanto ao mérito, irretocáveis a tese e o argumento. Faltou apenas incluir o pronome sujeito e substituir “termo determinado” por função determinada, vez que a oração sujeito nem sempre é constituída de um único termo. Normal é ser constituída por mais de um termo. Questão, contudo, de somenos importância.

                   Passemos agora à comprovação do argumento.

                   O Professor, com muita propriedade e revelando-se verdadeiro artista na aplicação do processo didático, para comprovar seu argumento e validar a tese, vale-se da oração

                   “Carlos comprou remédios nesta semana”

                   Usando o que ele chama código numérico, enumera  os termos da oração. Assim

                         1             2            3           5        4     
                   “Carlos  comprou remédios nesta semana”

                   O sujeito recebeu o número 1; o verbo, o número 2: o objeto direto, o número 3;  o núcleo do adjunto adverbial, o número 4 e o termo denominado periférico, o adjunto adnominal do adjunto adverbial, o número 5.

                   Vale-se de setas, a que dá o nome de sintagramas.
                   Otoniel Motta, saudoso professor e gramático de Campinas, usava o processo chamando-o de diagrama. Isaac Nicolau Salum, também adepto do consagrado recurso, o especificava como garfos, na análise de textos.

                   Nessa disposição, dá início à análise, à luz do sintagma, e leciona que:

                   a) O verbo (comprou) determina o sujeito (Carlos). A seta do sintagrama mostra que 2 (verbo) determina l (sujeito);
                   b) o  objeto direto (remédios) determina o verbo (comprou). A seta do  sintagrama mostra  que 3 (remédios) determina 2 (verbo);
                   c) o núcleo do adjunto adverbial (semana) também determina o verbo  (comprou), embora a seta do sintagrama informe que ele (núcleo)
determina apenas o objeto (remédio). Simples falha do sintagrama. Retificada a lição, e não o sintagrama, aponta que 4 (semana) determina 2 (verbo).

CRÍTICA

1)
                   Sabemos que
a)  sujeito é o termo do qual se diz algo  (no predicado);
b) predicado é o que se diz do sujeito.

Em sendo assim, o que se diz do sujeito Carlos não é apenas
que  ele comprou, mas que ele comprou remédios nesta
semana.
Este é o predicado. É isto o que se diz do sujeito. O predicado
e não o verbo é que é o determinante do sujeito. Sempre e só o
predicado, quer se trate de  verbo transitivo ou de verbo
intransitivo. Segundo o autor, o determinante do sujeito é só
verbo, e não o predicado inteiro.

2)                Passemos agora ao determinante do núcleo do predicado.
                    Segundo o autor, determinante do verbo. Ora verbo  está no  
                    plano morfológico, no plano sintático trata-se da   função, e a
                   função do verbo  é a  de predicado ou de núcleo do predicado.


3)                  A seta do sintagrama mostra que o determinante do núcleo do predicado, que o ilustre professor trata  como verbo, é apenas o objeto direto (remédios). Esta falha consta apenas no sintagrama, no texto o mestre diz que semana também determina o núcleo do predicado (verbo, no texto). Deixa, contudo de fora o determinante de semana, o pronome demonstrativo esta, em elisão com a preposição em.
Esqueceu ele que a noção de tempo não está  no substantivo semana; está principalmente   na preposição em mais o demonstrativo elidido que, juntamente, com o substantivo se converte num advérbio.


DA DISSENÇÃO NASCEU BELA AMIZA ENTRE FRANCISCO DEQUI E PEDRO JUNQUEIRA.
                                                                       
Ver abaixo a troca de correspondência
                      

                  

1

Enviada em: terça-feira, 27 de março de 2012 10:11
Para: Pedro Junqueira Bernardes
Assunto: Fw: Cópia Ideológica - Professora Magali

Pedro, como vai? Do que se trata?

----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 8:37 PM
Subject: Cópia Ideológica - Professora Magali



a) Do Prof. Dequi para a Revista


Ilmo. Senhor:
Luiz Costa Pereira Junior
DD. Editor da Revista Língua Portuguesa
Editora Segmento, Rua Cunha Gago, 412 – 1º. Andar
CEP: 05421-001 – São Paulo (SP)
Ilmo. Senhor:
         Chegou às minhas mãos um trabalho de conclusão de Magali de Albuquerque Petrak, aluna concluinte do Curso de Pós-graduação em Neopedagogia da Gramática, em pleno funcionamento na FATIPUC, situada na cidade de Canoas RS. O TCC da aluna me deixou preocupado, pois versou sobre “Cópia Ideolólgica”. Suas colocações parecem mostrar, com clareza, que uma das 18 Teses da obra Neopedagogia da Gramática, de minha autoria, tenha sido alvo de contrafacção que ela intitula como cópia ideológica. Neste momento, gostaria de não tecer qualquer comentário sobre esse trabalho que ainda está em âmbito interno. Passo-lhe o resumo que o encabeça, um tópico intermediário e a sua conclusão sucinta, a fim de que o editor possa verificar as colocações da aluna e nos dizer algo sobre o fato.
         Embora a revista, na página 4, estampe a sua ressalva, sabe-se que se tornou o canal da publicação sobre a qual se levanta o “plágio ideológico”. Temos ciência de que existe a responsabilidade solidária da revista, podendo a editora, caso haja eventual demanda, promover ação regressiva. Aguardamos sua manifestação sobre o fato.
 A seguir, anexamos os mencionados fragmentos:
                    Prof. Francisco Dequi
RESUMO
Pretende-se, com este trabalho, mostrar que o projeto e as teses neopedagógicas do professor Francisco Dequi estão sendo alvo de cópia ideológica por parte de alguns pesquisadores, pois, apesar de os conteúdos estarem amplamente divulgados, esses estudiosos não mencionam a verdadeira fonte dos conteúdos como deveriam fazer por ética e por força de lei. Para comprovar esse possível plágio, apresentaremos rápido histórico do Movimento Neodidático da Língua Portuguesa levado a efeito pelo Centro de Estudos Sintagramaticais, órgão de pesquisas do FATIPUC. Citaremos as teorias apontando as obras e as tese bem como os fragmentos delas extraídos, confrontando o conteúdo versado por ambas as partes. O núcleo da tese, objeto da diatribe pode ser resumido por estas palavras: ”A oração subjetiva jamais será subordinada como está exposta pelos gramáticos tradicionais”. Diante da farta comprovação que se arrecadou, chegamos à conclusão de que houve plágio ideológico.
TESE BÁSICA COPIADA
O professor de Passos copia e endossa a tese do CES que assim se resume:
 “É absurdo afirmar-se que a oração substantiva subjetiva é subordinada”. Já no cabeçalho da “A oração invisível” aparece o texto do jornalista da revista Língua Portuguesa: “Pesquisador defende que a oração subjetiva não é subordinada e mesmo gramáticos de ponta desprezariam uma importante distinção”.
A assertiva e os argumentos que o articulista arrola são buscados da Carta Magna da Língua portuguesa, da Sintagramática e da Tese 9 da Neopedagogia da Gramática. As três obras de autoria do prof. Francisco Dequi tiveram ampla publicidade e foram produzidas em diversas edições, bem como foram devidamente registradas no Biblioteca Nacional. Portanto essas teorias tiveram grande publicidade por meio de muita divulgação. Impossível alegar desconhecimento delas. Há, no artigo da revista Língua Portuguesa, diversos toques feitos por Pedro Junqueira Bernardes os quais comprovam que as páginas da neodidática foram palmilhadas pelo professor mineiro. Passemos a localizar esses pontos básicos que se inspiraram nas obras do Centro de Estudos Sintagramaticais.
 DOCUMENTOS NEODIDÁTICOS CONSULTADOS
1.      Carta Magna da Língua Portuguesa
2.      SINTAGRAMÁTICA – Identificação de determinantes e determinados
3.      Neopedagogia da Gramática
CONCLUSÃO
         Creio que minha demonstração acompanhada de transcrição de textos ligados ao foco visado, extraídos das obras do prof. Francisco Dequi sejam suficientes para comprovar que houve cópia ideológica. Se o plágio real exige cópia literal de textos maiores, este tipo de contrafacção não se configura. Entretanto a “cópia ideológica” ficou comprovada.
            Outras justificativas, outros argumentos, outras ilustrações poderiam ser arrolados como razões para as reclamações dos pesquisadores do Centro de Estudos Sintagramaticais e denunciar com mais veemência esse procedimento aético e ilegal. Entretanto, fico nesse esboço neste trabalho.
Assim, concluímos que o autor da “Oração invisível” objeto deste trabalho, realmente copiou o conteúdo central da Tese 9 da Neopedagogia de Gramática. Tangenciou também outros pontos das obras do CES inserindo-os no seu artigo “Oração invisível” publicado na revista Língua Portuguesa número 50, de dezembro de 2009. Não há qualquer dúvida sobre essa cópia ideológica, pois a argumentação, a nomenclatura, a estrutura das elucidações bem como muitas expressões são coincidentes demais e confirmam minha visão de plágio ideológico.

2

b) Da Revista para Pedro Junqueira

De: luizcosta@editorasegmento.com.br [mailto:luizcosta@editorasegmento.com.br]
Enviada em: terça-feira, 27 de março de 2012 10:11
Para: Pedro Junqueira Bernardes
Assunto: Fw: Cópia Ideológica - Professora Magali

Pedro, como vai? Do que se trata?

----- Original Message -----
Sent: Monday, March 26, 2012 8:37 PM
Subject: Cópia Ideológica - Professora Magali


Nenhum vírus encontrado nessa mensagem.
Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br
Versão: 2012.0.2221 / Banco de dados de vírus: 2441/5367 - Data de Lançamento: 11/01/12


3

c) De Pedro Junqueira Para a Revista

          Caro Luiz,

                        Ainda aborrecido e magoado com a atitude irresponsável dessas duas criaturas! Simplesmente não conheço nem o autor nem os tais documentos “neodidáticos”. Deles, nem falar ouvi. Quanto ao nosso trabalho, antes de enviá-lo para publicação, posso garantir que o deixamos amadurecer por mais de três anos. Quanto aos créditos, merecidos, e devidos, e que não foram poucos,  estão todos registrados no corpo da obra.
                        Por outro lado, nada impede que outros tenham a mesma ideia e defendam a mesma tese. É como diz um desembargador federal aposentado,  colega de escritório, que mantemos juntos: “Nada impede que o índio invente ou descubra a roda, que ainda não componha o seu mundo vivencial”.
                        Conforme se vê do texto agressivo, a metralhadora giratória está mais concentrada na revista. Estão agredindo diretamente, até com citação,  o texto de chamada, que eles o tem como plágio.
                        Luiz, em que pese o ônus da prova ser de quem alega (pela quase impossibilidade da prova negativa), para melhor posicionamento, seria bom que o profícuo professor nos enviasse um exemplar de seu texto, lembrando-o, e à aluna de Neopedagofia, por oportuno,   que os atos praticados contra a honra poderão ensejar a competente ação de reparação de danos.

                        Luiz, agradeço por manter-me informado. Um fraterno abraço.

d) Da Revista para Pedro Junqueira

Pedro, concordo com você. Me pareceu estranha a defesa do professor - a ideia pode ser compartilhada até por gramáticos antigos, é preciso pesquisar. Eu disse a ele que a revista está aberta à publicação de uma carta para a seção de leitores, ao que caberia resposta sua, evidentemente.
Um abraço
Luiz
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, March 28, 2012 4:19 PM
Subject: RES: Cópia Ideológica - Professora Magali


4


e) De Pedro Junqueira para o Prof. Dequi


Professor Dequi

                                   Acabo de receber suas obras, em número de seis. Agradeço pela remessa.
                                   Como a sintaxe me é mais cativante, comecei por ela. Detive-me no período composto por subordinação. Teríamos a mesma visão de oração principal se eu, há muito tempo, na esteira de Texier (apud Oiticica/1958*), não tivesse abandonado a denominação, com todos os seus reflexos.
                                   Interessante, e até preocupante, é a nossa sintonia na maneira de ver os fatos da língua. Há muito já havia notado que a subordinada, em linhas gerais, não determina outra oração, mas apenas termo ou função dela.
                                   Teríamos muito que discutir.
                                   Por oportuno, não recebi a “Neopedagogia da Gramática”, onde estão as dezoito teses, dentre elas a que provocou o “tsuname”. Gostaria de recebê-la.
                                   Atenciosamente

  • Oiticica – José. Manual de Análise. Francisco Alves. Rio. 1958



5


10.04.2012
Professor Pedro,

Solicito o seu endereço para que possa enviar algumas obras do prof. Dequi.

Obrigada desde já,

Aline Paim.


6 –

e) Do Prof. Dequi para Pedro Junqueira


Retorno do prof. Dequi –

Prof. Pedro Junqueira Bernardes

Recebi seu e-mail que trata da oração subjetiva: minha versão e a sua. Seu caso não é o único. Outros autores, em outros conteúdos, foram mais explícitos. Com estes, eu busquei explicações por vias oficiais e por meio de procuradores especializados. Mas, para o presente caso, preferi o diálogo direto. Não buscamos ressarcimentos, mas apenas o reconhecimento de ser citados quando servimos de inspiração. Se for o caso, evidente.

      A pós-graduanda Magali de Albuquerque Kruger Petrak realizou o seu trabalho de conclusão do curso apenas com o objetivo interno de cumprir um requisito curricular para a conclusão de sua especialização. Para tal tarefa, teve dois orientadores que não viram maiores problemas no seu trabalho.
      Ao ler o texto de Magali, percebi colocações, SMJ, semelhantes às do projeto do CES. Pessoalmente, solicitei à pós-graduanda que me permitisse enviar ao autor do artigo “A oração invisível” o resumo, um fragmento interno e a conclusão de seu trabalho. Ela vacilou, mas, no fim, não viu problemas e concedeu a autorização.
      Diante disso, sinto-me responsável por passar conteúdos do trabalho em foco para fora da nossa instituição. Assim, para livrar a professora Magali de preocupações, talvez, terei de assumir a responsabilidade das suas colocações que, SMJ, me parecem fundamentadas, razão por que as remeti.
      Estou tentando atender seu pedido de enviar-lhe o trabalho completo da pós-graduanda. Prometi a ela assinar responsabilidade sobre o que pode acontecer. Mas, antes disso, como se trata de assunto sério, uma equipe da nossa instituição, está fazendo uma rápida análise sobre os fundamentos das colocações da autora do TCC.
Para o possível envio do trabalho completo, solicito que aguarde alguns dias, pois, no meu entendimento, essa autorização precisa ser formalizada. 
 Penso que, para evitar constrangimentos entre pessoas cultas, seja possível ajustar ou deixar claro, pois a revista Língua Portuguesa se colocou à disposição para eventuais esclarecimentos. O bom seria aguardar. Após a Páscoa voltarei a dar notícias.
Retribuo os votos de Feliz Páscoa.


7 – última do prof. Dequi

f)  Do Prof. Dequi para Pedro Junqueira


Ilustre professor Pedro Junqueira Bernardes

Seu último e-mail traz a marca de sua cortesia que merece todo o meu respeito. Ao mesmo tempo em que agradeço as menções elogiosas, informo-lhe que não sou tudo aquilo que o colega diz. O bom é que vamos nos entender e, quem sabe, pesquisar juntos. Por enquanto, preocupa-me a situação da pós-graduanda que não tinha intenção de magoar ninguém. Disse-me que se baseou na Tese 9 e na 13 da Neopedagogia da Gramática nas quais se veem claramente os focos aventados. Disse também que utilizou o mesmo vigor e contundência que foram utilizados em outras sustentações e defesas levantadas por outros colegas e pesquisadores que se inspiraram nas pesquisas do CES.
Para se justificar ela solicita que se leiam as teses mencionadas, no blog que publica as 18 teses  (www.portuguespelaneopedagogia.blogspot.com). Como faz tempo que não as visito, ontem fui revê-las. Por incrível que pareça elas mostram muita semelhança.

Como colega e já amigo, convido-o a analisar as mencionadas teses no citado blog. Quanto à remessa da íntegra do trabalho da pós-graduanda, não temos ainda o consentimento formal dela. Vamos aguardar.

Professor, eu vi também pontos positivos nos acontecimentos que provocaram nosso encontro. Veja: na gravação das 18 teses aparece em manchete animada “PARA DEBATE NACIONAL”. Por incrível que pareça, isso está acontecendo entre nós. Quem sabe, nos trabalhos que o colega pretende publicar, certamente aparecerão ideias que venham a enriquecer o nosso ensino de Português. Sobre a preposição da qual anunciou publicar um estudo, temos proposto um conceito diferente do tradicional. Está na tese 10 da Neopedagogia da Gramática. Se esse conceito o ajudar, utilize-o à vontade. Seu conceito de “introdutor de determinantes”, lançado por mim em 1976, está sendo utilizado em muitas obras, principalmente em livros escolares. Que bom! Lamento que poucos citam a verdadeira fonte – aquela que viu e publicou por primeiro esse novo enfoque.

Dentro de poucos dias, após serenarem as tempestades (não as vejo assim), lhe enviarei gratuitamente as minhas obras básicas (Carta Magna da Língua Portuguesa, Sintagramática, Redação por recomposição, Verbo Diagramado, Interpretação Objetiva e Fono-orto-morfo). A última traz a Acentuação Objetiva que ensejou muitas adesões entre estudiosos.     

Prof. Francisco Dequi

8


g) De Pedro Junqueira para o Prof. Dequi

Por favor especial da Sr.ta       Aline           
Prezado prof. Dequi,

                        Com muita honra para mim, verifiquei que continuamos navegando juntos. Agora sobre as chamadas conjunções subordinativas.
                        Não poderia ser de outro modo. O enfrentamento daqueles conectivos é um corolário natural do apagamento da subordinada subjetiva.
                        Em 2010, refleti sobre aqueles malsinados conectivos, ditos subordinativos.
                        Recebendo agora sua excelente obra e detendo-me na tese 9 (nove) da “Neopedagogia da Gramática”, pude constatar que, excetuando  alguns passos da argumentação,  defendemos a mesma tese.
                        Pediria, encarecidamente, que o caro professor desse uma olhada nos meus rabiscos, que seguem anexos, e pronunciasse a respeito, desde que não lhe seja muito penoso.
                        Naturalmente que, se levados à publicação, serão eles enriquecidos com a referência ao seu valioso estudo a respeito, como se fez com relação aos Professores Soares de Melo  e  Evanildo Bechara.


 9

h)  Do Prof. Dequi para Pedro Junqueira

Colega professor Pedro Junqueira Bernardes 
Humildemente quero lhe pedir sinceras desculpas. Abandonei, por longos meses, o acompanhamento das mensagens que me são enviadas pela internet. Minha secretária Aline Paim que tinha a autorização para acompanhar as mensagens ficou mamãe, recebeu a licença maternidade e, na hora de voltar ao trabalho, pediu demissão. Preferiu entregar-se totalmente aos cuidados do seu pequeno herdeiro.
Ao incumbir o funcionário Alceu da mesma função, ele me mostrou seu e-mail que, embora antigo, não foi lido nem respondido por mim. Lastimei, mas aqui estou para lhe pedir as escusas. Parece desculpa esfarrapada, mas aconteceu. Até o meu blog ficou parado neste período. Nos últimos meses, me envolvi com a construção de mais um bloco da minha escola, revisei algumas das minhas obras visando à adaptação à nova ortografia a fim de reimprimi-las adaptadas. Além disso, organizei uma tese de 320 páginas para tentar a sua defesa via “notório saber”, buscando por aí o título de doutor, muito importante para a minha instituição.
A verdade é que falhei junto com o nobre colega e hoje quero me manifestar. Deixo claro que não sou muito versado no uso da internet. Por isso, por enquanto, ainda sou um dependente em lidar com esse tipo de correspondência.
Colega Pedro Junqueira, recebi sua mensagem datada ainda em 7 de junho. (Que vergonha!). Por ela, o colega acusa o recebimento das minhas obras. Embora o senhor as elogie, vejo nelas defeitos. Por isso, sua leitura e apreciação se tornam importantes. Sua modéstia tratou seu escrito como “rabiscos”. Quero deixar claro que o senhor escreve muito bem e tem conhecimento de causa. Seu tratado sobre os conectivos é inteligente, claro e bem fundamentado. Deve ser publicado para que outrem perceba essa lógica de ver a necessidade de ajustes gramaticais no nosso ensino. Fico agradecido pela referência feita à minha versão.
Professor Pedro, há muitos outros conteúdos ligados à Neopedagogia da Gramática que vêm despertando pronunciamentos positivos por parte de estudiosos da nossa gramática. Estou revisando, ampliando e reeditando. Como ainda não tenho auxiliares capazes de analisar com profundidade, sinto-me sobrecarregado. Mas vou levando...
Reitero minhas escusas e abro o meu coração para um saudável intercâmbio entre nós.
Prof. Dequi



___________________________________________________________________________